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domingo, 8 de maio de 2011

Alcançar a perfeição .

Às vezes me sinto como se fosse inferior a todo mundo. Não, não quero dar uma de depressiva, eu não sou assim todo dia. Sou uma menina tão saudável e feliz que realmente não sei por que esses momentos me vêm. É uma blusa que eu experimente e fique apertada, um tropeção na calçada que faça alguém rir, um garfo que eu deixe escapar da mão, uma resposta que eu não saiba, tudo isso me faz sentir no fundo do poço. Bobagens, assim, que depois fico me perguntando por que eu me importei com isso.

Acho que isso tudo vem desde o passado. Sempre fui a ovelha negra da família da mamãe: a mais branca, a mais gorda, a que tem o cabelo mais diferente, a mais desengonçada com as coisas, a menos discreta, a menos inteligente (o que não faz de mim a menos esperta, e isso às vezes me serve de consolo), a caçula, e tudo isso fez-me sentir sempre tão excluída... Nos jantares de família, quando estão todos reunidos, as pessoas conversam umas com as outras e eu nunca arrumo um jeito de enturmar, porque não são papos que me agradam. Família de mamãe é Exatas e eu sou Humanas. Família de mamãe sabe lidar perfeitamente com o Português, e a maldito Português me azucrina a vida. Só eu nasci com veia artística. Nasci tão diferente deles... Eu odeio o popular, adoro o excêntrico. E isso parece que afasta as pessoas de mim, enquanto eu queria parecer ao menos interessante. Tem gente que fica insinuando que tenho que fazer dieta, ficar mais delicada, porque essa pessoa deve achar que não me enquadro na família Lannes Drumond... Enfim, sempre fui criada assim, como inferior. Só agora, aos quinze anos, resolvi me vingar e virar "gente". Pelo menos na família de mamãe.

Na família de papai eu não preciso me portar educadamente, eles já me amam tanto do jeito que eu sou, gorda ou magra, desastrada ou não, inteligente ou burra. Eu piso na casa de um deles e já ganho um turbilhão de elogios. Eles me notam por causa dos meus talentos, pela escrita, pela música, falam de meus atos o tempo inteiro, como se fosse coisa de outro mundo. Não sei se é porque não temos muito contato ou se eles realmente me querem bem. Mas essas minhas duas famílias são sempre distintas. Como posso ser o xodó em uma e a aberração obesa em outra?

E eu fico assim, sabe? Muito confusa. Não sei se fico como sou ou como a sociedade gostaria que eu fosse. Eu quero alcançar a perfeição, ser aquele primor de menina! Magrela, com os dentes certinhos, sempre de unha feita, sobrancelha fina, um exemplo. Que hei de virar?

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