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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quase nada é melhor do que nada?

Duda tinha se mudado de cidade há algum tempo. Deixou para trás uma grande amiga, Juliana, com quem nunca perdeu contato. Em um certo final de semana, Duda resolveu comprar uma passagem de avião para a cidade natal sem pensar duas vezes. Estava carente e precisando muito do colo da amiga. Antes de ligar para Ju, no entanto, teve o insight de ligar para um “rolo”, com quem quase sempre se encontrava quando voltava à cidade natal... na verdade, se viam sempre que ele estava disponível.

- Oi, lindão. É a Duda. Tô indo praí neste findi.
- Oiiiiiiiiiii, gata. Que maneiro! Vamos nos ver na sexta-feira? Eu te busco no aeroporto e a gente sai.
- Beleza!

Duda desligou o telefone com um sorriso no rosto e imediatamente ligou para a melhor amiga.

- Juuuuuuuuuuuuuu. Tô indo praí no final de semana só para te ver!
- Ai, não!!! Eu vou viajar, Duda, porque não me avisou antes?!
- Não acredito, Ju, eu já comprei passagem e faço questão de te encontrar.
- Que dia você chega?
- Na sexta.
- Ah, que bom, então, porque eu viajo só no sábado. Então podemos nos ver pelo menos na sexta.
- Não, na sexta não dá. Já marquei com o Pedro de ir me buscar no aeroporto.
- Ué, então você está vindo para ficar com ele? Não era só para me ver?
- Nãaaaaaaaao. É para te ver, acontece que eu dei uma ligada para ele e ele marcou.
- Mas ele não pode te ver no sábado?
- Ah, não vou nem perguntar. Ele é muito sistemático, depois muda de ideia e vou acabar sem vê-lo.
- ...
- Eu tô muito carente, amiga, faz tempo que não namoro...
- Ok, então, não poderemos nos encontrar.
- Ah, mas eu tava indo só pra estar com você...
- Tava, né, Duda? Não tá mais. Agora é para ver o Pedro.
- Claro que não, quem mandou você viajar no sábado?
- ok.

Ju não quis perder tempo chateando a amiga. Mas teve pena. Pena por ela estar se submetendo à disponibilidade de um cara. Pena por ela não enxergar o quanto estava com a autoestima baixa, achendo que não valia nem uma noite de sábado, a sexta-feira já era lucro. Pena por ela estar trocando um tempo com uma amiga, que certamente a faria sentir-se amada e querida, pela efemeridade de um encontro com alguém que não queria nada com ela além de seu próprio prazer. Pena porque, no sábado, sabia que a amiga estaria se sentindo sozinha, carente e com a autoestima baixa novamente.

Mas Duda não era a única. Joana, Patrícia, Laís... Todas elas pareciam haver desistido de ter tudo o que um dia sonharam. Passaram a se contentar com migalhas. Era como gastar uma pequena parte do salário todo mês para comprar passagem para Praia Grande em vez de economizar dinheiro para poder viajar para Paris no fim do ano. Para acalmar sua ansiedade momentânea, trocavam sua paciência para esperar algo muito legal a longo prazo por uma boa noite de amor e carinho.

Elas próprias, no entanto, não sentiam autopiedade. Se convenciam de que eram moças independentes e modernas, de que não tinham pudores e iam atrás de seu desejo. Se convenciam de que estavam se aproveitando dos garotos bem como eles delas. Mas, se alguém perguntasse o seu verdadeiro maior desejo, responderiam, sem titubear: ter um namorado que me ame e a quem eu ame também.

Não, ninguém estava se aproveitando de ninguém. Estavam todos sós e sem fé na vida. Alimentando a própria solidão, sem cultivar nada duradouro. Ainda que fosse sua própria autoestima.

Aguentar o nada às vezes é importante para se ter tudo um dia

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