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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ensaio sobre a dor!

A dor é linda. É sério. Só quem passou por uma fossa desgraçada por causa de alguém é que sabe como é bonito ficar sofrendo. Eu falo da beleza poética da coisa. A maquiagem borrada. O choro copioso e solitário. A descoberta de si mesmo na solidão. Olha que lindo! A desgraça não se parece entediante como um comercial de tv. Bacana mesmo é a inconstância, o quase-pulo da janela do 9˚ andar, a morte e a vida por um fio. Bacana mesmo é doer até arrebentar.
Por isso que o emocore faz tanto sucesso. Eu estava lembrando disso porque assisti dias desses um vídeo do Morrisey que me deixava prá lá de melancólica (aos 13 anos de idade, tudo te deixa melancólico). E Morrisey, como era deprê, influenciou Legião Urbana- que também era deprê- que influenciou uma pá de gente deprê depois deles. E tudo num deprê bonito, aquele que hoje em dia se trasformou em emocore, mas que no meu tempo, a gente chamava de "Dark". Não sei se eu era dark, mas provavelmente eu queria ser. Afinal, eu tinha 13 anos.
Se naquela época a tristeza vendia, imagine hoje. A gente não tinha "depressão", ninguém era DDA, não existia bipolar, ninguém tomava remédio. Se ia para o psiquiatra como quem vai para a cadeira elétrica, porque não tinha esse lance de "se entender". Nos anos 80, você curtia drogas e rock'n roll, tinha lá uma "turminha de cheirador de cola" e maconheiros, todo mundo ouvia The Cure e queria ser Robert Smith. Simples assim.
Anos 90, depois do Kurt Cobain, ir para a terapia era condição "sinequanon" para ser aceito na nossa sociedade perversa. O mundo passou a ser a doença ao invés da cura e você, o injustiçado da sociedade no meio de tudo isso. E vieram outras doenças, como vieram outros objetos de consumo. Agora, bem cá entre nós, pobre vai ao psiquiatra? Não, é claro. Isso se tornou um fator de segregação social- ricos e pobres. Você tem-que-ter um problema, como você tem-que-ter uma Louis Vuitton.
Por isso que a dor existencial é linda. É o que te diferencia do resto da humanidade. Você passa a fazer parte de uma casta, talvez a mesma aquela que tem curso superior e a outra que possui uma casa própria.
"Casa própria para quê?" - pensam alguns - "Se na minha alma reside o vazio..."

by: Débora Lannes Drumond (;

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